RISPA

                                                                   UMA TESTEMUNHA SILENCIOSA
                                                    

A história desta mulher, de nome Rispa, é uma história muito triste. Mas embora não tenha tido um final que poderíamos chamar de ‘feliz’, foi um final de honra que ainda hoje nos traz ensinamentos.
Podemos entender no texto bíblico que lemos que seus únicos filhos foram entregues para serem executados por causa dos pecados antes cometidos pelo pai de ambos, o Rei Saul – que nesta época já estava morto. Não vamos discutir aqui as formas do povo de Deus lidar com o pecado antes de Jesus ter vindo ao mundo para morrer por nós. O que precisamos saber é que naquela época, quando Rispa vivia, a humanidade estava debaixo da Lei, e não da graça, e por isso a remissão dos pecados só vinha através de sacrifícios. Além disso, os povos viviam em guerra para conquistar territórios e obter domínio – inclusive o povo de Israel, já escolhido por Deus como nação santa. Mas era uma época em que havia também muita rebeldia, paganismo, crueldade e ao mesmo tempo, provisão do Senhor para seu povo quando estes se arrependiam e o buscavam de todo coração. Quanto às mulheres, elas tinham poucos direitos e quase nenhum poder de opinar ou agir.
Davi, já coroado rei, enfrentava seca e fome em seu Reino. Como homem de Deus, consultou o Senhor e Ele lhe revelou o motivo: o não cumprimento de um voto de seu antecessor, o Rei Saul, que, sanguinário, tentou exterminar os gideonitas, que não eram israelitas, mas, tinham um acordo de paz com o povo de Israel. Como forma de quebrar a maldição que sobreveio sobre seu reino por conta dessa violação, Davi e os gideonitas decidiram executar sete descendentes de Saul – entre eles, os dois únicos filhos de Rispa.
Rispa assistiu aos seus filhos amados serem enforcados sem nada poder fazer, pois eram descendentes de Saul. Ela pagou um preço terrível pelos pecados de Saul seu marido e de sua família.
A tristeza do coração de mãe tomou a forma de feroz determinando em vigiar os corpos. Estendendo seu pano de saco (sinal de luto), ela protegeu os corpos expostos às aves durante o dia e de outros animais durante a noite.
Para nós isso pode não ter muito significado, mas para Rispa, foi uma vitória, afinal, era seu último feito como mãe: conseguir um destino honrado para os corpos de seus filhos.
A perseverança de Rispa nos encoraja, em primeiro lugar, a não desistir diante das dificuldades, mesmo que nossa dor seja tão severa quanto a dor da morte de alguém que amamos. Por amor e por um desejo ardente de fazer o que era certo – naquele caso, dar um enterro digno aos filhos – ela suportou dias de sol e calor, noites de frio e escuridão. Até que alguém com autoridade viu e honrou seu gesto. Sua fidelidade foi recompensada.
Da mesma maneira, Deus deseja que sejamos fiéis ao que é certo e àqueles que amamos. Mesmo que venham dias difíceis. No final, Ele irá honrar nossa atitude de serva.

Deus abençoe sua vida minha amada!

Um forte abraço.